O
que é melhor: avião de asa alta ou de
asa baixa?
Asa alta ou asa baixa? Motor 40 ou 60?
O dilema dos novatos no aeromodelismo
por Rogério Araújo
O iniciante no aeromodelismo se enrosca em dúvidas
logo na compra do primeiro avião treinador. Qual
o melhor tipo? De que tamanho? Asa alta ou asa baixa?
Almost Ready to Fly (ARF, semi-pronto) ou kit para montar?
Motor 40 ou motor 60? E por aí vai... Muitos novatos
escolhem o modelo que lhes parece mais bonito e, nesses
casos, acabam se dando mal. Vamos ajudá-lo a escolher
seu primeiro avião.
Asa alta X Asa baixa
Há um mito de que só os aviões
com asa alta (acima da fuselagem) são estáveis.
Isso não é exato. O importante é que
o modelo seja um TREINADOR, isto é, projetado
para o vôo mais dócil. Há ótimos
treinadores tanto de asa alta como de asa baixa.
Se ter asa alta fosse uma condição essencial
para a estabilidade, nenhum jato de transporte moderno
estaria voando. Imagine estar a bordo de um Boeing a
10 ou 11 quilômetros de altitude. O vôo é tão
tranqüilo que o gelo no copo de uísque nem
se mexe. Olhando para fora, mal se pode ver direito o
solo. Não tanto por causa das nuvens, mas porque
a asa atrapalha a visão.
Em 99% dos aviões de transporte modernos, a asa é colocada
embaixo da fuselagem. Todos são estáveis.
Outro exemplo: quem vai a um aeroclube para aprender
a pilotar aviões de verdade tem grande probabilidade
de voar num Uirapuru ou num Pipper Corisco, treinadores
de asa baixa. Então, de onde vem essa estória
de que os aeromodelos RC de treinamento devem ter obrigatoriamente
asa alta? Devem?
Muitos instrutores acreditam que essa opção
oferece maior segurança, mas há quem aconselhe
os novatos a também pilotar modelos de asa baixa.
Existem treinadores de asa alta tão estáveis
que, para fazer uma curva, é necessário
coordenação do tipo "pé e mão",
numa referência aos comandos de um avião
de verdade - ou seja, usar ao mesmo tempo o leme (comandado
pelos pés do piloto num avião verdadeiro)
e os ailerons (comandados pelas mãos).
A coordenação "pé e mão" por
vezes é muito complicada para um novato.
Num avião de treinamento com asa baixa, a proximidade
do plano de sustentação em relação
ao CG faz com que ele seja mais dócil ao entrar
em curvas. Isso evita que o aluno se acostume com excessos
de comando no início do aprendizado. Em outras
palavras, o aprendiz nota mais rapidamente que não é necessária
grande deflexão do stick (alavanca de comando)
do transmissor de rádio para que o modelo entre
em curva. Outro mito a ser desfeito é o da velocidade.
Muita gente acredita que os aviões de asa alta
só podem voar lentamente, enquanto os de asa baixa
são rápidos. Alguns exemplos reais desmancham
o engano: os jatos F-14, F-15 e Jaguar são todos
supersônicos de asa alta (mais precisamente chamados
de "shoulder wing", expressão que significa "asa
nos ombros", como se o canopy fosse a "cabeça",
a fuselagem fosse o "tronco" e a asa estivesse
nos "ombros" do avião).
Ao contrário, o jato A-10 (norte-americano) e
o turboélice Pucará (argentino), ambos
de asa baixa, são aviões lentos de ataque
ao solo. Por essas razões, ao ingressar no aeromodelismo,
o novato deve consultar pilotos mais experientes para
conhecer treinadores tanto de asa alta como de asa baixa
e escolher aquele com o qual voe mais comodamente.
Há treinadores de asa baixa muito fáceis
de pilotar. Não se pretende propor aqui que o
novato se converta num fanático dos aviões
de asa baixa. É preciso, porém, experimentar
algo além dos tradicionais modelos de asa alta.
No aeromodelismo, tabus também atrapalham. Mas
tenha o cuidado de não se deixar impressionar
só pela aparência do avião.
Assegure-se de que o modelo que você vai escolher é um
treinador. Não vá se apaixonar à primeira
vista só por causa da beleza do avião!
Ele pode ser um feroz modelo de competição
que exige muita experiência para ser pilotado. |